Laura Ferreira dos Santos

Laura Ferreira dos Santos (1959 - 2016), licenciou-se em Filosofia pela Universidade Católica e doutorou-se em Filosofia da Educação pela Universidade do Minho, onde foi Professora Associada. Entre outros escritos, publicou os seguintes livros: Educação e Cultura em Nietzsche (CEP/UM: 1993), Pensar o Desejo a partir de Freud, Girard e Deleuze (CEP/UM: 1997), Variações sobre o entre-dois (Angelus Novus: 1999), Alteridades feridas. Leituras feministas do cristianismo e da filosofia (Angelus Novus: 2003), Diário de uma mulher católica a caminho da descrença, I e II (Angelus Novus: 2003 e 2008), Ajudas-me a morrer? A morte assistida na cultura ocidental do século XXI (Sextante, 2009), “Testamento Vital, o que é? Como elaborá-lo?” 

“Tive um cancro da mama em 2001, uma recidiva em 2007 e desde 2011 que tenho metástases ósseas. Há pouco tempo apareceu-me uma grande metástase na coluna, que aumentou muito e me dá dores permanentes e insuportáveis. Fui operada para tentar atenuar estas dores terríveis, mas não resultou. Nada parece resultar. Só peço o direito a não morrer aos bocadinhos.”

Laura Ferreira dos Santos dedicou parte da sua vida à reflexão, investigação e intervenção em torno das problemáticas do fim de vida, tendo publicado em 2009 o livro "Ajudas-me a morrer? A morte assistida na cultura ocidental do século XXI" e, mais tarde, "Testamento Vital, o que é? Como elaborá-lo?". Esta última obra deu um significativo impulso e um contributo determinante para, mais tarde, a Assembleia da República aprovar a lei do Testamento Vital. Em finais de 2015, juntamente com o médico João Ribeiro Santos, decidiu constituir o movimento cívico Direito a Morrer com Dignidade, cuja primeira ação foi o lançamento do Manifesto pela despenalização da morte assistida, que viria a ser subscrito por 100 figuras públicas e a dar origem à Petição dirigida à Assembleia da República com o mesmo objetivo, por mais de oito mil subscritores.

Foi, em Portugal, a verdadeira pioneira da defesa da despenalização da eutanásia, dentro e fora da universidade, tendo contribuído para a sua discussão de forma elevada, conhecedora, empenhada e convicta, quer na comunicação social, quer na sociedade.

“Em Novembro de 2014, antes de um Prós e Contras sobre a eutanásia, o João (Ribeiro dos Santos) e eu jantámos, tendo-me lançado outra vez o desafio. Foi tão persuasivo e empático que não consegui dar-lhe mais uma resposta negativa. Nessa altura já eu fora obrigada a pedir a aposentação por agravamento da saúde. Mas tivemos de esperar por Novembro de 2015 para lançar o Movimento numa reunião no Porto” - Laura Ferreira dos Santos

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